A Nova Vida em União com Cristo (Rm 5,1─8,39)


 Este artigo visa fazer uma reflexão de como deve ser “a nova vida em união com Cristo”. O segredo está na coragem em aprender e a ser humilde, isto é, em se colocar como pessoa que está disposta a criar oportunidades de crescimento e felicidade.

Com Cristo a vida é sempre nova e feliz.

No ano de 2005, a editora Paulinas lançou uma nova edição da Bíblia com o seguinte título: Bíblia Sagrada, nova tradução na linguagem de hoje. Nesta versão atualizada há uma introdução e um esquema de conteúdo de cada livro que facilitam a leitura e compreensão do mesmo. Seguindo o critério esquemático do conteúdo introdutório contido nesta versão atualizada da Sagrada Escritura, estabeleci refletir a Carta de São Paulo aos Romanos. O conteúdo desta Carta está dividido em cinco partes. Escolhi para o momento refletir a terceira parte que traz o seguinte tema: A nova vida em união com Cristo (5,1─8,39).

Esta Carta foi escrita por Paulo e enviada à comunidade cristã em Roma. Ao reconhecer a inspiração divina no que diz respeito ao conteúdo, a comunidade cristã do referido local conservou-a e adotou-a como critério de leitura e oração. Com o passar do tempo, ela foi assumida pela Igreja como canônica e incluída na lista dos livros que compõem o Novo Testamento.

No texto mencionado acima (A nova vida em união com Cristo), o autor esclarece algumas reflexões contribuintes para a comunidade cristã em Roma. Posteriormente, tais reflexões serviram como contribuição para todo o cristianismo. Tentaremos fazer uma breve reflexão para que seja útil ao nosso tempo, à nossa realidade.

Um novo tempo, mais aconchego e amor.

Romanos 5

No capítulo cinco, o texto parte da nossa aceitação por Deus mediante a fé em Jesus Cristo, aquele que nos dá paz que é a vida segundo a graça de Deus.  A aceitação de Deus mediante a nossa fé é propulsora: dar-nos vida nova. Uma vida cheia de esperança dada por Ele mediante o seu Espírito que nos faz reagir de modo positivo para superar os sofrimentos (cf. 5,1-4).

É o amor de Deus por nós que faz Cristo assumir a nossa natureza frágil e nela morrer para nos libertar dos nossos pecados. A morte de Jesus na cruz nos liberta dos sofrimentos e do castigo de Deus e é assim que de inimigos tornamo-nos seus amigos. Essa nova vida que Jesus Cristo nos deu é causa de alegria a todos nós que colocamos nossa fé n’Ele. Temos também o Espírito Santo que nos dá força espiritual para termos uma vida de amigos com Deus. Tudo isso Deus fez e faz por nós não por uma lei e sim pela força do Seu amor (cf. 5,6-11). O amor supera a estreiteza da lei.

Não há espaço para discussão no momento, nem de esclarecer o sentido do texto de modo aprofundado por uma análise exegética e hermenêutica. Grosso modo, porém, percebe-se nele a ausência de Eva. A linguagem empregada, de um lado, gira em torno do homem pecador, tendo como sua representação Adão. De outro, do homem salvador que traz vida nova e que é Jesus Cristo. No entanto, fica claro, nos versículos de 12 a 21, que Paulo tem a intenção de fazer a junção da realidade do homem Adão com a realidade do homem Jesus Cristo, mostrando que, por iniciativa de Deus, Cristo assume a realidade do homem pecador (Adão representa este homem pecador) levando-a à salvação (Jesus representa este homem que salva). Essa junção mostra que, como por um homem (Adão) veio o pecado, por um homem (Jesus Cristo) veio a salvação.

O que se pretende dizer aqui não é que Paulo está errado no seu modo de argumentar, mas que, para os tempos de hoje, muitos podem pensar que Paulo se esqueceu das mulheres. Por exemplo: no livro do Gênesis, quando menciona o pecado da humanidade, trata de modo tal que se percebe a presença feminina (Eva) e a masculina (Adão). Portanto, o ser humano, isto é, as mulheres (Eva) e os homens (Adão), segundo o Gênesis, são os responsáveis pelo pecado no mundo.

Paulo, não nega o Gênesis, na Carta aos Romanos ele refaz a leitura do homem e da mulher pecadores e anuncia que pela fé em Jesus Cristo eles alcançarão a graça misericordiosa de Deus. Na leitura de Paulo, o pecado entrou no mundo através de um só homem (Adão) e por causa do pecado chegou a morte. Mas, o pecado de um só homem também foi adquirido por todo o gênero humano consequentemente a todo o gênero humano chegou à morte.

Ao mesmo tempo em que Paulo diz que o pecado entrou no mundo por um só homem argumenta também que a graça salvadora de Deus chegou por um só homem, Jesus Cristo. Assim sendo, como pecado entrou no mundo por um só homem e causou a morte de todo o gênero humano, pois todos pecaram, também a graça salvadora de Deus chegou e chega por um só homem, Jesus Cristo, e concede os benefícios salvíficos a todo o gênero humano.

Em todo caso, sem recorrermos a uma análise exegética e hermenêutica, podemos dizer brevemente que, como a carta é endereçada a uma comunidade cristã onde há homens e mulheres, fica evidente que a ação de Deus operada por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo, refletida por Paulo na Carta aos Romanos, também é para as mulheres. Paulo não negou a salvação às mulheres. Isso fica claro também em todas as suas cartas.

A verdadeira unidade produz felicidade.

Romanos 6

O capítulo 6 traz uma reflexão sobre a nova vida dos cristãos. Essa vida nova começa com o batismo, que nos une a Jesus Cristo e a Sua morte. A nossa união na morte d’Ele nos une ao mesmo tempo a Sua Ressurreição, porque da morte Ele ressuscitou e assim também acontece conosco. Portanto, a vida dos batizados deve se caracterizar como morte para o pecado e como ressurreição, que é a vida nova para Deus.

Essa certeza de união com Jesus Cristo trazida pelo batismo produz uma nova consciência que Paulo expressa do seguinte modo: “Assim também vocês devem se considerar mortos para o pecado; mas, por estarem unidos com Cristo Jesus, devem se considerar vivos para Deus” (v. 11). É uma consciência de liberdade que liberta da lei para uma vida nova. A lei tem seus limites e limita o ser humano e não o liberta dos pecados. A união com Cristo, pelo contrário, produz liberdade para uma vida conduzida pela graça de Deus. Aqueles que são batizados em Cristo e se comprometem a viver, dia após dia, uma vida nova significa que o controle da vida não está no pecado nem na lei, mas na graça de Deus.

Para Paulo na Carta aos Romanos, estar sob o controle de Deus é sinal de uma nova realidade para fazer as coisas com seriedade e honestidade, isto é, aquilo que é de direito. Aqui, ainda entra uma comparação que o autor faz em relação a ser escravo do pecado e a escravo de Deus. Servir o pecado produz morte, enquanto servir a Deus é garantia de vida eterna.

Em todas as coisas há a verdade que liberta.

Romanos 7

No capítulo sete, é exemplificado o sentido de união da vida antiga, simbolizada pela ligação com a lei, e de união com a vida nova após o rompimento com a lei. Assim como no casamento, em que a mulher fica livre da lei do matrimônio com a morte do marido, assim também acontece o mesmo conosco que, pela união com Cristo, estamos mortos para a lei. Livres da lei da morte e unidos a Cristo, a vida dos batizados é norteada por uma maneira nova de viver a partir da obediência ao Espírito de Deus.

Mas a própria lei não é considerada pecado. No entanto, é ela que faz saber o que é pecado. Sem ela não há como saber o que é o pecado. Paulo exemplifica isso de modo pessoal: “o pecado se aproveitou dessa lei para despertar em mim todo tipo de cobiça. Porque, se não existisse a lei, o pecado seria uma coisa morta. Pois houve um tempo em que eu não conhecia a lei e estava vivo. Mas quando fiquei conhecendo o mandamento, o pecado começou a viver, e eu morri. E o próprio mandamento que me devia trazer a vida me trouxe a morte” (v. 8-9).

Na conclusão do capítulo sete, Paulo revela a sua fraqueza interior e usa a si mesmo como exemplo de ambiguidade para falar da vida humana. Isso demonstra uma atitude de coragem da parte dele, pois ele poderia apresentar a própria vida como exemplo de pureza, de perfeição para se engrandecer diante da comunidade. Essa coragem cristã de Paulo foi abandonada, ao que parece, pelos cristãos ao longo dos séculos, porque o que costumamos vivenciar é a pregação de engrandecimento e de superioridade de muitos, principalmente líderes cristãos em relação a outras pessoas. Vemos poucas pessoas que têm a coragem de Paulo ao afirmar: “no meu pensamento eu sirvo a lei de Deus, mas na prática eu sirvo a lei do pecado” (v. 25).

Unidos em Cristo para viver com mais sabor.

Romanos 8

No capítulo oito, é desenvolvido o sentido de liberdade que o Espírito Santo promove. Essa liberdade significa que, quando se compromete em viver segundo o Espírito, o cristão alcança a vida eterna. Viver segundo o Espírito é viver com ânimo, com coragem e sem medo. Em outras palavras, a Carta de Paulo aos romanos afirma: “O Espírito de Deus se une ao nosso espírito para afirmar que somos filhos de Deus. Nós somos seus filhos, e por isso receberemos as bênçãos que ele guarda para o seu povo, e também receberemos com Cristo aquilo que Deus tem guardado para ele. Porque se tomamos parte nos sofrimentos de Cristo, também tomaremos parte na sua glória” (v. 16-17).

O capítulo oito conclui a reflexão afirmando que a união com Cristo é sinal de luz, fé e esperança para os cristãos. Uma esperança que vence o medo e não desanima porque “o Espírito de Deus vem ajudar na nossa fraqueza” (v. 26). É uma motivação para que possamos continuar olhando o mundo e a própria vida sob a ótica da esperança, olhando o futuro.

Paulo introduz a esperança da vida futura, da vida escatológica alicerçada nas dificuldades do dia a dia. Ele não tem medo de afirmar que a união com Cristo é a certeza da vitória. No entanto, não afirma que essa vitória é alcançada com o próprio desejo e vontade humana. Tudo não passa de um presente de Deus àqueles que se comprometem em viver unidos a Cristo, por meio do Espírito Santo, reconhecendo e louvando a Deus como Pai. Portanto, a união com Cristo é sinal de vida diante das situações de morte e, na morte, é certeza de ressurreição.

Unidos a Jesus, temos a certeza que, assim como Ele morreu na cruz e a venceu, nós também, já mortos para o pecado, venceremos a ignominiosa morte e cruz. Paulo não teme em anunciar que a união da vida do cristão com a vida de Jesus Cristo vence todos os sinais de divisões existentes no mundo. O esforço de vida de Paulo em estar unido à vida de Cristo lhe deu esta certeza: “nada pode nos separar do amor de Deus: nem a morte, nem a vida; nem os anjos, nem outras autoridades ou poderes celestiais; nem o presente, nem o futuro; nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo. Em todo o Universo não há nada que possa nos separar do amor de Deus, que é nosso por meio de Cristo Jesus, o nosso Senhor” (v. 38-39).

Assim como Paulo, os cristãos são convidados a viverem unidos a Cristo pelo amor. Não um amor feito da mais insignificância realidade produzido pelo controle e manipulação, mas um amor da insignificância realidade produzida pela simplicidade, doação, ternura e caridade que é felicidade.

Artigo publicado inicialmente no site do CEBI Centro de Estudos Bíblicos, http://www.cebi.org.br.


ACELERE OS PASSOS DA SUA FELICIDADE

Gilmar Passos

Gilmar Passos, orienta as pessoas a terem a vida saudável e harmoniosa através da espiritualidade ensinada pelo Grande Mestre Jesus Cristo.

Website: http://www.vidaemdesenvolvimento.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *